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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

NOITE



NOITE
Na noite a festa
O som de vozes
Ecoa pelo espaço.
Ruídos diferenciados
Agradáveis ou cruéis.
Cheiro de orgia.
Mulheres e demais seres
Dividem meu espaço.
Olho para dentro
E me reconheço
Como simples peça
Dos movimentos
Contínuos e individuais.
São como animais.

LOGOSOFIA

LOGOSOFIA


Pelo incõe rastejante perseguido
Pomposa maquia de nepente ingerira
E insigne pensamento atrevido
Logosófico busca em si o infinito.

Litania de fervorosos imolados
Que no ocaso, aflui-se sem impasse,
Que se cortasse, ficaria dizimado,
E assim gravado, pelos céus se ecoasse.

Alas brancas uniformes angelicais
Deixam sinais, por onde hão de passarem,
E, entre brilho de estrelas colossais,
Entoam vozes impetuosas, ao cantarem.

A insciência dos animais humanos
Não eram planos de seu progenitor.
Mas, eis que a fima na célula, no entanto,
Não é ainda, conhecido do doutor.

A nuga fértil do cefálico diabólico
Sendo simbólico, é como uma semente,
Que se plantada em solo cálcico
Desenvolve-se e cresce de repente

TROVÕES A RIBOMBAR

TROVÕES A RIBOMBAR


Animal rugindo
Louco balbuciando
Mar impetuoso
Trovões a ribombarem.
Animal ferido
Louco preso
Mar em chamas
Trovões a ribombarem.
Fogo no animal
Louco sem ar
Mar de óleo
Trovões a ribombarem.
Gente.
Desalmados.
Matando-se.
Trovões a ribombarem.

FRAGILIDADE

FRAGILIDADE


Existo...
Aqui estou...
O que queres tu que não me deixas?
Sou teu escravo, me disseram.
Mas, mesmo atendendo-a.
Em tudo que me é capaz,
Não me dás sossego.
Dilacera-me.
Ferindo-me fundo,
Na minha fragilidade.

INSTINTOS

INSTINTOS


Nesta calma
Neste silêncio
Meu ego grita desesperado
Procurando movimentos.
Na solidão: sou som.
Na agonia: sou dor.
No desespero: amor.
A minha volta
Labirintos.
No pensamento: instintos
Como os de animais no cio.

CLARE’SECA

CLARE’SECA


Pelos espaços vazios
Penetram os raios
Claros como nada.
Pelos ocupados, as sombras negras,
Pela falta de luminosidade daqueles.
As ramagens inquietas,
Amareladas pelos raios, incessantes e ardentes.
Estas balançam de um para outro lado...
Como se estivessem com sede.
Abanando aos céus, pedindo um favor a seu favor.

PAZ VERMELHA

PAZ VERMELHA


Falam de paz...
Buscam a paz...
Mas, usam a guerra,
Como pretexto desta luta.
Que espécie de paz é esta?
Onde vidas humanas são levadas a tortura?
Tortura psicológica, financeira e física.
Aqui não se vê guerra com bombardeios,
Mas, a evidência de uma guerra sem ruídos.
Fria e sem estilhaços.
Silêncio total...
Deduzo que este silêncio
É confundido com o que seria a PAZ.
E é este silêncio que denominam de paz.
Mas, esta paz é vermelha como sangue...
E mata aos poucos a humanidade
De dentro para fora.